A chegada da Familia Grando em Maristela ( 1888 a 1895)
A chegada dos Grandos a Maristela ( 1888).
Assim que desembarcaram no porto de Santos vindos de Genova em 5/2/1888, os Grandos viajaram até São Paulo e se hospedaram na Hospedaria de Imigrantes do Brás( atual Memorial do Imigrante ) que dava abrigo aos imigrantes recém chegados no porto de Santos.
Os latifundiários do interior do Estado de São Paulo estavam ávidos por imigrantes italianos em virtude das restrições à escravidão que começaram na segunda metade do século XIX e culminaram com o fim da escravidão após a assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel em 13 de maio de 1888.
O Brasil vivia o último ano do Império que deu lugar a Proclamação da República em 1889.
A Lei Áurea jogou milhares de escravos na miséria. Pois a mentalidade dos latifundiários preconceituosos era: “ sempre tivemos negros de graça, já que vamos pagar pelos trabalhadores, não queremos negros e sim imigrantes”. Daí a corrida dos fazendeiros pelos italianos que chegavam aos portos.
A Lei Áurea apesar de bem intencionada, aumentou ainda mais a condição de miséria em que viviam os negros.
Com isso a rivalidade entre negros e imigrantes era imensa. Pois os negros como escravos trabalhavam e ganhavam comida. Como alforriados, não tinham mais trabalho e agora nem comida, passado a viver na pura miséria. E viam no imigrante italiano os responsáveis pela sua condição de pobreza.
Os Grandos provavelmente foram contratados pelo latifundiário de nome Delfino Martins de Mello. Este fazendeiro era o maior detentor de terras na região conhecida como “Ribeirão dos Laranjais” situada a cerca de 173 km da capital São Paulo. E suas terras ficavam onde mais tarde passaria a se chamar distrito de Maristela.
Ribeirão dos Laranjais era ponto de parada de tropeiros que se dirigiam do interior do Estado para a grande Feira de Sorocaba ( feira esta que data desde os anos de 1600).
Delfino de Mello adquiriu uma grande gleba de terra por volta de 1881 e ajudou na construção da estrada de ferro sorocabana. Delfino construiu uma Casa de Pensão para os trabalhadores da estrada de ferro e tropeiros que passavam pelo povoado) e também doou terreno para a construção da primeira capela ( hoje situada a Igreja Matriz da cidade).
Este pequeno povoado no qual os Grandos foram trabalhar ganhou o nome anos mais tarde ( em 1916) de Maristela. O nome foi uma homenagem a filha do então Governador de São Paulo, Dr. Altino Arantes ( advogado formado em São Paulo e que governou o Estado de São Paulo de 1916 a 1920).
Os trens vindos do interior em direção a Sorocaba paravam na estação de tábua ( construída por Delfino de Mello) chamada “Parada José Alves” que se situava no Km 206.
Publicada a 10 de outubro de 1917, a Lei Estadual nº 1.555 criou o Município de Laranjal que, pelo Decreto Federal nº 14.334/1944, passou a chamar-se Laranjal Paulista., tendo Maristela passado a condição de Distrito de Laranjal Paulista.
⇒Municípios limítrofes: Jumirim, Pereiras, Cerquilho, Tietê, Cesário Lange e Piracicaba.
⇒ Rede hidrográfica: formada pelos Rios Tietê e Sorocaba, seis ribeirões e seis córregos;
Os Grandos ficaram trabalhando de agricultores nesta região de 1888 a 1895, ou seja, por 7 anos. Neste período, guardaram algum dinheiro e resolveram comprar 6 alqueires de terra próximos dali em um entreposto de tropeiros conhecido como Cerquilho ( naquela época, todos os povoados se davam seguindo a então estrada de ferro sorocabana). Cerquilho ficava a poucos quilômetros de distância de Maristela.